anne frank

Anne Frank e Amsterdã: quando viagem e literatura se misturam

Não é segredo pra ninguém que ler e viajar são os dois maiores prazeres da minha vida. Mas, na verdade, eu nem me toquei que a história da Anne Frank tinha acontecido em Amsterdã quando resolvi ir pra lá. É claro, eu já tinha lido seu diário diversas vezes quando era mais nova, mas não relacionei uma coisa com a outra quando comprei as passagens.

Foi pesquisando as atrações de Amsterdã que me lembrei que foi ali que Anne Frank e sua família viveram durante a Segunda Guerra Mundial. O “anexo”, esconderijo da família, é um museu hoje em dia – um dos mais concorridos de Amsterdã, aliás, e algumas pessoas ficam horas na fila pra comprar ingresso. E é um museu realmente imperdível. Você entra e faz um percurso pelo prédio da frente e depois pelo anexo, entrando pela estante falsa e passando pelos cômodos que a família habitou. Infelizmente, Otto Frank preferiu que os móveis fossem retirados, mas parte das paredes (inclusive a parede de pôsteres que a Anne menciona no livro) está preservada, bem como diversos objetos das duas famílias que viveram ali. Dica: compre online!

Prédio em Anne e sua família se esconderam durante a guerra.

Prédio em Anne e sua família se esconderam durante a guerra.

Mas eu, como boa leitora, quis ir mais além. Queria saber onde Anne tinha vivido de verdade, quais eram as coisas que ela gostava de fazer em Amsterdã. E foi aí que conheci o blog Ducs Amsterdam, local em que encontrei mais informações sobre a relação da cidade com a família Frank. Acontece que Anne e sua família saíram da Alemanha em 1934, quando a menina tinha só cinco aninhos, por conta do antissemitismo crescente no país. E eis que eles resolveram se mudar pra Amsterdã, ou seja, Anne passou a maior parte da sua vida em terras holandesas.

Pesquisando nesse blog, eu descobri o endereço em que Anne Frank e sua família moravam antes de irem para o anexo. A família vivia em um bairro chamado Rivierenbuurt, um bairro realmente maravilhoso. Ali vivia a maior parte dos judeus de Amsterdã naquele período. Pertinho da casa da família, que fica numa praça chamada Merwedeplein, fica a livraria Boekhandel Jimmink,  local em que o pai da Anne comprou pra ela o diário e, acreditem se quiser, ela ainda está em funcionamento. Também visitei a Victorieplein, que era a praça em que os alemães reuniam os judeus a serem deportados e o local por onde os canadenses “entraram” para libertar Amsterdã dos nazistas. Bem simbólica, né?

Boekhandel Jimmink: livraria em que Otto comprou o diário

Boekhandel Jimmink: livraria em que Otto comprou o diário

Uma coisa legal é que eu reli o diário da Anne um pouco antes da viagem. Então, quando embarquei, estava com suas palavras frescas na memória. E posso dizer que foi uma experiência bem interessante conhecer os lugares que ela menciona no livro e saber mais sobre história que não está escrita em seu diário.

Fachada da casa em que Anne Frank morou (n. 37, segundo andar).

Fachada da casa em que Anne Frank morou (n. 37, segundo andar).

Acho que esse passeio por Rivierenbuurt foi um dos mais legais que fiz em Amsterdã. Primeiro porque não encontrei turista naquela região, então senti que eu tinha um lugarzinho exclusivo na cidade, que estava lá todinho pra mim. Segundo, que é um bairro lindo e realmente cheio de história pra contar. Aliás, tem uma avenida ali naquela região chamada Scheldestraat que é muito charmosa, e vale muito a pena ficar por ali passeando e vendo as lojinhas.

Floricultura na Scheldestraat

Floricultura na Scheldestraat

Curiosidades:

Se você olhar pra baixo, vai ver plaquinhas na frente de algumas casas. Em Amsterdã, cada judeu deportado foi homenageado com uma dessas:

Plaquinhas com os nomes dos membros da família Frank.

Plaquinhas com os nomes dos membros da família Frank.

Além disso, ainda dá pra ver algumas marcas de tiros nas paredes. Eu passei por aquele bairro pensando em quantas pessoas viviam naquelas ruas e que tiveram seus sonhos e planos interrompidos ali. Lembrá-las é uma forma de nunca mais repetirmos esse episódio tão tenebroso da história da humanidade.

Se você quiser fazer um passeio tão legal quanto o que eu fiz no dia em que visitei essa região, aqui vão as dicas:

Compre o ingresso online pra um horário na parte da manhã na Anne Frank Huis. Depois da visita, dê um pulinho na Winkel 43 para um café e a torta de maçã (que é a verdadeira torta holandesa) mais famosa da cidade. Daí pegue um tram (sei que o tram 4 passa por lá, pois foi esse que peguei) que te deixe na estação Waalstraat e dê um passeio pela região e almoce por ali (ou faça como eu e volte para o centro pra almoçar). Eu indico o Omelegg, que é um restaurante sensacional e super em conta, se você quiser comer perto da Centraal Station.

Estátua da Anne Frank na Merwedeplein

Estátua da Anne Frank na Merwedeplein

Seguem os endereços pra quem quiser conhecer os lugares que mencionei no post:

Anne Frank Huis: Prinsengracht 263-267
Verdadeira casa da Anne Frank: Merwedeplein 37
Boekhandel Jimmink: Rooseveltlaan 62
Winkel 43: Noordermarkt 43
Omelegg: Nieuwebrugsteeg 24

Amsterdã

Amsterdã: a linda cidade dos canais

Não é difícil me deixar de boca aberta. Eu, menina nascida nas Minas Gerais e criada no interiorzão de São Paulo, me impressiono fácil, fácil. Mas Amsterdã não só me impressionou… Amsterdã tem alguma coisa a mais. Se essa cidade fosse uma pessoa, ela seria uma mistura de Adaline¹ e Mia Wallace².

É difícil entender como uma cidade tão antiga consegue parecer tão jovem. E Amsterdã é a cidade dos jovens do mundo inteiro. Eu vi tantas nacionalidades misturadas que nem parecia estar na Europa. Amsterdã tem um jeitão de cidade do mundo, sem preconceitos, sem mimimi. Amsterdã não quer saber se você é americano,  europeu ou africano. Ela só quer que você se jogue!

Amsterdã

Mas se o seu negócio é uma viagem mais cultural, não tem problema. Amsterdã tem mais de 50 museus espalhados pela cidade, incluindo o Museu Van Gogh (que eu amei!) e o Rijskmuseum. Amsterdã foi fundada nos anos 70 (1270), e também tem muita, muita história. Foi a cidade mais importante da Europa em alguns períodos da Idade Média, sentiu na pele o drama da Segunda Guerra Mundial e carrega até hoje as marcas de todos esses séculos. Aliás, Amsterdã foi a cidade em que Anne Frank e sua família se esconderam durante a guerra. Hoje, seu esconderijo é um museu.

Mas o charme de Amsterdã são seus canais. Uma das coisas mais gostosas que fiz durante a viagem foi sentar embaixo de uma árvore, na beira de um canal, e ficar olhando a cidade acontecer. Os canais ditam o ritmo da cidade: dá pra ser metrópole, mas nem tanto. O trânsito é tranquilo, as pessoas são educadas, o pedestre é sempre respeitado. Mas quem manda na cidade são os ciclistas.

Amsterdã

É incrível perceber que é possível viver sem essa bagunça toda, sem essa poluição toda. Em Amsterdã, grande parte da população nem possui um carro. É plenamente viável se locomover pelas principais áreas da cidade de bicicleta e com segurança. Eu preferi não arriscar por não saber as regras do trânsito de lá (de vez em quando tem até congestionamento de bike! haha), mas pra quem já pedala com frequência deve ser uma experiência e tanto.

Amsterdã também é uma cidade de vanguarda. Lá existem vagas especiais para carros elétricos, com carregadores. A prostituição é regulamentada e a sensação é de que as mulheres podem exercer a profissão com mais segurança do que em qualquer outro lugar, mesmo que o Red Light District tenha me parecido um local estranho e mal frequentado. A cannabis também é legalizada e você encontra coisas curiosas como biscoito e incenso feitos com a planta em qualquer esquina, além dos famosos coffee shops. Não entrei em nenhum porque não tive vontade, mas eles estão lá pra quem quiser experimentar.

Amsterdã

Red Light District

Lá em Amsterdã eu percebi o que é a tal sensação de segurança. Parece que foi a primeira vez na vida que eu pude andar às 11h da noite em uma cidade grande sem sentir medo de ser assaltada ou coisa pior. Daí comecei a entender o motivo pelo qual tanta gente sai do nosso lindo país pra viver lá fora. Isso me deixou entristecida, porque eu mesma, que amo tanto meu país, pensei pela primeira vez que deve ser muito bom viver assim, mesmo que seja em outro lugar.

Amsterdã também é uma cidade cara, mas nem tanto. Com 30 euros por dia você passa bem (comida + transporte) se não tiver muita frescura. Em alguns dias eu gastei menos que isso, já que já tinha comprado os ingressos das atrações pela internet –  e essa é uma dica de ouro. Dá pra economizar uns bons euros comprando tudo online.

Amsterdã

Um dos portões de Amsterdã. Amsterdã já foi cercada por um muro (lá por volta de 1500), e esse era um dos portões de entrada da cidade.

Uma dica: faça um favor a si mesmo e experimente o stroopwafel com chocolate no Albert Cuypmarkt (uma das maiores feiras a céu aberto de Amsterdã). Ali na Albert Cuyp também fica um restaurante árabe maravilhoso em que você come muito bem por menos de 20 euros: o Bazar. Vá à Heineken Experience, passeie pela feira (que é um lugar ótimo pra comprar souvenirs, já que lá eles são mais baratos que nos outros locais) e pare para almoçar no Bazar. Mais uma dica de ouro!

No mais, acho que cada um tem que descobrir a cidade da sua própria maneira. É um lugar pra ser livre, pra fazer o que quiser. E eu tenho certeza de que esse nosso primeiro encontro não foi o único. Me espera, Amsterdã, porque um dia eu vou voltar!

¹: Adaline do filme “A Incrível História de Adaline”, de Lee Toland Krieger. Tem na Netflix.

²: Mia Wallace de “Pulp Fiction“, do Tarantino. Também está na Netflix.

I amsterdam

Fui pra Europa sozinha: minha primeira solo trip!

Quem me acompanha no Instagram  ou no Facebook já sabe que nas últimas semanas eu vivi uma das maiores aventuras da minha vida: viajei sozinha pela primeira vez. Na verdade, a princípio não era pra ter sido assim. Quando eu comprei as passagens, comprei pensando em encontrar o Marcus por lá. Ele tinha uma turnê quase fechada, e eu ia passar um tempão sozinha aqui e tinha um feriado no meio. Conversei com meu chefe, ele me deixou pagar horas pra tirar uns dias a mais no feriado e eu fechei a viagem. Porém, como nada nessa vida é fácil, a turnê do Marcus acabou sendo adiada. Resumo da ópera: ou eu cancelava a viagem, ou aproveitava a oportunidade pra fazer uma solo trip. Escolhi a segunda opção.

Essa era uma coisa que eu tinha vontade de fazer em algum momento e que eu sabia que ia acontecer com o tempo. O Marcus é músico e eu sou funcionária pública, e isso quer dizer que nem sempre as nossas “agendas” coincidem. Eu só não esperava que fosse agora e que fosse pra tão longe.

Como esse letreiro não é muito conhecido, tenho que dizer que ele fica em Amsterdã.

Como esse letreiro não é muito conhecido, tenho que explicar pra vocês que ele fica em Amsterdã.

Mas entrar naquele avião foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Viajar sozinha foi uma experiência sensacional. Perceber que eu fui capaz de fazer tanta coisa por minha conta é, no mínimo, libertador. Eu voltei com a sensação de que posso fazer qualquer coisa, que nada é capaz de me limitar enquanto a minha vontade de conhecer o mundo for maior que a minha insegurança.

Nós, mulheres, somos ensinadas desde pequenininhas que precisamos de alguém pra nos proteger. Somos o “sexo frágil”. Sem entrar numa discussão aprofundada sobre o machismo estrutural presente na nossa sociedade, nós somos condicionadas a pensar que dificilmente conseguiremos alcançar coisas grandiosas por nossos próprios meios. E daí você entra num avião sozinha e vai pra outro continente. Eu nem sei quantas vezes eu ouvi a pergunta “mas você está sozinha?” nessa viagem. E todas as vezes eu respondi “sim, estou”, com o maior orgulho do mundo.

Sozinha e super fashion! Tô pensando em fazer meu primeiro post de look do dia com esse look.

Sozinha e super fashion! Tô pensando em fazer meu primeiro post de look do dia com esse look.

Voei sozinha por quase 28 horas, e sozinha conheci Amsterdã e Zurique. Também sozinha conheci o Museu Van Gogh, o bairro em que a Anne Frank morou, vi as marcas de bala que a 2ª Guerra Mundial deixou nas paredes de um bairro maravilhoso chamado Rivierenbuurt. Sozinha vi, lá de cima, os Alpes Suíços, que parecem centenas de montinhos de neve fofa e o Lago Zurique que, mal dá pra acreditar, é translúcido!

Sozinha eu refleti sobre a capacidade humana de criar e de construir tanta coisa bonita, mesmo com recursos limitados. Percebi que o Velho Mundo é velho mesmo, mais velho do que a minha imaginação era capaz de alcançar. Entrei sozinha em um castelo construído em 1280, mas saí de lá com uma experiência enorme e com duas amigas brasileiras.

É uma pena que eu tenha deixado minha roupa de princesa em casa :/

É uma pena que eu tenha deixado minha roupa de princesa em casa :/

Fiquei por quase uma semana perambulando por aí sozinha, mas não me senti sozinha nem por um minuto. Confirmei minha teoria de que um sorriso abre os caminhos e derruba as barreiras. Descobri, inclusive, que minhas pernas aguentam andar mais quilômetros do que eu pensava. Vi que sou o suficiente pra mim mesma, e que gosto bastante da minha própria companhia. É impossível estar solitária quando você está tão perto de si própria.

E, se eu pudesse dar um conselho pra todas as mulheres que eu conheço, seria esse: bota uma mochila nas costas e vai pra qualquer lugar. Quando você mete o pé na porta, ela se abre pra você passar.